sábado, 25 de abril de 2015

Não mais ...

Vou, talvez sem volta, ou de volta
Me espere, que eu te aguardo, me guardo.
Produzimos o melhor do amor, no entanto, onde está minha história?
E a cada dia juntos, tudo encaixava, fazia sentido 
As coisas pareciam bem ajustadas
Acredite, não estavam, eu descobri
Eu mesmo não enxergava, até o mergulho consciente no meu eu

Me apaixonei aos poucos
E fui me diluindo lentamente
Perdendo anexando meus pedaços em você
 

Não mais ...

Olhei hoje para o espelho
E não suportei
Não me vi
Meu reflexo era tua imagem
Como em uma colagem cubista
Sobre uma obra surrealista

Não sou eu !
Não posso permitir, desaparecer assim
Desperdiçando as potências que possuo

Deixar-me de lado e viver você,
Não posso mais ficar aqui!
Preciso partir.

Não mais ...

Por amar-te como se o mundo não existisse
Uma vida juntos, 
Poucos e tantos anos 
Vivendo pra te ver sorrir
Não posso me permitir sentir tanto
Sentir o incrível, o fantástico
E talvez nem fazer parte disso
Entendi que o amor, também destrói

Esvazia a alma, perde o sentido, 
perder se no outro, pelo outro
Fui me apagando aos poucos do mundo
Tornando me pó,  esquartejando meu ser.

Você tão presente aqui no peito
Que ao vagar o pensamento em sua presença 
Sinto que vou explodir de saudades

Mas não posso, não mais ...

Tenho que me recompor
Me resgatar, ficar de pé 

 Juntar os farelos, os estilhaços, os pedaços 
Reencontrar partes da minha existência 
Perdida em algum momento da nossa história

Desaparecida entre os ponteiros do tempo
Das memórias das nossas primaveras
Espalhadas nos jardins e abismos do nosso pisar.

Tudo que vivemos juntos é maior que eu
Te tirar do meu coração sei que não é possível
Mas posso resgatar minha alma, ser humano novamente
E posso também viver fora de nós

Posso suportar a sua ausência
Reencontrar minha essência 
Me reconstruir, encontrar os alicerces novamente

Posso sim, mas ainda sinto que


Essa distância será como o brilho fúnebre
De uma tarde distante,  fria, abrigada na inconsciência tão difícil de manejar, sonhar
Na qual nos restará os momentos em que
Aquecia-nos no abraço quente, febril
De uma cumplicidade sem fim

Os passos solitários, agora meus,
Se torna o reflexo que a mim retorna
Não ter-te é suportar a ausência 
Nossas palavras, nossas conversas,
Seus sussurros, corpo e coração,
Nosso adormecer, nosso dispertar 
Nós, um só.

Não mais ...

Também é estar distante do soluço noturno
Das lágrimas que sangravam do meu olhar
Nas noites de escuridão
Ao procurar meu reflexo, minha alma, meu ser, Minha identidade, minha felicidade, minha individualidade
E ver você,
Minha razão de existir e também meu perecer.

Não posso mais ... Então ...

Abdico de você, amor da minha vida
Porque preciso ser feliz comigo
Renascer numa manhã vazia
Na qual só encontre eu,
Tentar reencontrar a minha razão de ser
De estar sozinho e amar mais a eu mesmo que a ti
Preciso tornar você a outra metade de minha alma e não meu ser por completo.

O amor jamais será justo
Se deixamos de amar a nos mesmos

Quero caminhar só contigo nessa vida
Mas preciso antes produzir meus próprios rastros, sentir a areia entre os dedos
Ver minha própria sombra, voltar a existir
Pra viver com as igualdades que possuímos
E nos amar de verdade com as diferenças que produzimos.

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